O cinema é a lei

O Direito inspira o cinema. O cinema inspira o Direito. A história legal do mundo aponta para cenários justos e democráticos.


Por FELIPE VIVEIROS*


Mulheres Divinas (2017)

Continente: Europa

País: Suíça

Tema: O direito das mulheres.


O mito de que a Suíça é uma das democracias mais antigas da Europa data da Idade Média, quando os homens desfrutavam da liberdade para se reunir em assembleia anual e votar, de maneira direta, levantando a mão. A tradição perdurou por séculos. Mas, faltou ao país que se orgulha tanto de seu modelo de liberdade: a mão feminina. É esse capítulo vergonhoso, varrido para debaixo do tapete de um dos países mais democráticos do mundo, que retrata o filme: Mulheres Divinas.



Ixcanul (2015)

Continente: América Central e Caribe

País: Guatemala

Tema: O direito dos indígenas.


"Não falo sua língua". Na Guatemala, os que podem se comunicar em Espanhol manipulam traduções, o significado de documentos e o destino das pessoas. Ixcanul deixa claro que a língua tem poder político. Quem domina o Espanhol domina as populações que carecem de recursos linguísticos – e portanto legais – para defender-se. A grande comunidade maia é estrangeira em seu próprio país.



C.R.A.Z.Y. (2005)

Continente: América do Norte

País: Canadá

Tema: O direto dos homossexuais.


C.R.A.Z.Y. retrata o choque pessoal e político de um país em transformação, e trata questões como a relação entre pai e filho, sexualidade e tolerância. O anseio por mudanças de comportamento, pelo aceitação do corpo e orientação sexual escapam dos padrões praticados e levam as relações entre os membros da família a um limite extremo. O filme mostra que um conflito entre um menino gay e um pai conservador não é um obstáculo íntimo, mas sim um impasse legal.



Una Mujer Fantástica (2017)

Continente: América do Sul

País: Chile

Tema: O direito dos transgêneros.


Una Mujer Fantástica descortina tema tabu de nosso continente e retrata, com sutileza, os obstáculos da mulher trans na cidade de Santiago. A sétima arte que mudou a política, colocou o debate na agenda pública em caráter de urgência, alavancou o projeto de lei e levou o país sul-americano a garantir aos seus cidadãos o direito de mudar de gênero, sem a necessidade de cirurgias ou de ordem judicial.


*Felipe Viveiros, graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP, tem extensão universitária em Comunicação Empresarial pela Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá) e é mestre em Relações Internacionais e Organização Internacional pela Universidade de Groningen (Holanda).

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