SEM PERDER O NORTE

Nanook, banda de indie rock da Groenlândia, encanta com paisagens sonoras que nos levam ao Ártico.


Por FELIPE VIVEIROS*


Influente na cultura do Mundo, o continente norte-americano é a terra natal das figuras mais conhecidas da história da música. Desde Frank Sinatra, Elvis Presley, Michael Jackson até Lady Gaga, Drake e Justin Bieber, a América do Norte é um polo para os que acompanham as últimas tendências no universo do som.


Longe da calçada da fama e a 30 km de Ellesmere, no Canadá, há outro polo, coberto por um manto de gelo e localizado no norte do Oceano Atlântico. Conhecida pelos seus imensos glaciares, a maior ilha do mundo não é terra natal de celebridades, mas sim de um povo de maioria inuíte onde a temperatura máxima no verão não ultrapassa os 4°C.


A Groenlândia, embora (no aspecto político) parte autônoma da Dinamarca, tem suas peculiaridades no âmbito geográfico e cultural. Situada na costa nordeste da América do Norte e com quase 90% de população nativa, a ilha tem como língua materna o groenlandês. Conhecido como kalaallisut, o idioma pertence à família dos Eskimo-Aleut, falada também por povos originários do Canadá, do Alaska e do leste da Sibéria. Inuit significa "o povo" ou "o povo verdadeiro".


fotos: visit greenland


Quando o tema é "povo verdadeiro", a banda de indie rock Nanook é especialista no assunto. Criada em 2008 pelos irmãos Christian e Frederik Elsner, o quarteto encanta em seu idioma nativo e já conta com quatro álbuns de estúdio, dois de maiores sucessos e um “ao vivo”. O nome Nanook é uma referência ao poderoso urso da mitologia groenlandesa. O álbum de estreia do grupo, Seqinitta Qinngorpaatit (em português: “Nosso sol brilha em você”), conquistou Disco de Ouro com mais de 5.000 cópias vendidas. Isso significa que, pelo menos, um em cada 10 groenlandeses já escutou a banda.


Cantadas em kalaallisut, as músicas são internacionais. Com uma proposta autêntica e inovadora, o grupo conquista os ouvintes com acordes criativos de indie rock e paisagens sonoras que nos levam ao Ártico. Nanook já ganhou duas vezes o Greenland Music Awards e se apresentou, ano passado, em um dos maiores festivais de música da Europa, o Roskilde Festival na Dinamarca. A média de público no evento foi de 130.000 pessoas, mais de duas vezes a população inteira da terra dos músicos. O poderoso “urso” da mitologia groenlandesa não só passou pela Europa, como também já esteve em turnê pelo Canadá, Estados Unidos e Japão, e é um dos maiores fenômenos de música groenlandesa na história recente.


foto: anders berthelsen/divulgação


Com discografia disponível no Spotify, a banda conta ainda com um canal de clipes e apresentações no Youtube e perfis no Instagram e Facebook.


Destaque para o hit acústico Ingerlaliinnaleqaagut e para os clipes da auto-intitulada Nanook — filmado no sul da Groenlândia e que aborda as mudanças climáticas que afetam a vida no Ártico — e Aarnuaq (Talisman), que descortina, com ótima fotografia, o estilo de vida de uma América do Norte, muito ao norte, que se deixa levar por trenós em meio das geleiras.


*Felipe Viveiros, graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP, tem extensão universitária em Comunicação Empresarial pela Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá) e é mestre em Relações Internacionais e Organização Internacional pela Universidade de Groningen (Holanda).



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