Burning Man

Cultura do Resto do Mundo traz uma seleção de documentários para fazer a provocadora poeira da contracultura chegar até você.


Por FELIPE VIVEIROS*


Burning Man é um evento único. Não é um festival de caráter comum como o Coachella ou Bonnaroo. É um encontro de criatividade, senso de comunidade e sustentabilidade. Um estilo de vida, uma maneira de viver.


A história do Burning Man começa em 1986, com a ideia do fundador Larry Harvey. O norte-americano queria construir um humanoide para queimar em puro ato de auto expressão, para celebrar o solstício de verão. Na companhia de 20 amigos e alguns estranhos, Harvey levou um boneco de madeira à Baker Beach, em São Francisco, na Califórnia, e incendiou a figura valorizando inclusão, expressão pública e o “ato de ritual como uma necessidade humana”.


De 1986 até 1989, o fundador e os seus amigos continuaram a conduzir uma reunião anual na mesma praia. O festival mudou de localidade para o Black Rock Desert, no norte do estado de Nevada. Em razão da mudança no espaço, o evento ganhou nova magnitude e mais terreno para mobilidade. Uma cidade temporária dadaísta é criada todos os anos – a Black Rock City – que existe apenas no período de sete dias antes do fim de semana do Dia do Trabalho. O evento mantém suas raízes e culmina com uma gigantesca efígie humana de mais de 10 metros de altura queimando até o chão.


Esperando Djs famosos, pirotécnicos e sistemas de som de última geração? Burning Man não é Tomorrowland. A celebração não conta com nenhum entretenimento, mas incentiva os participantes a se apresentarem para a comunidade. Mais de 65.000 pessoas perambulam pelos acampamentos a pé, de bicicleta e sobre scooters, cozinham, dançam, bebem e criam arte juntas. O dinheiro aqui não é a moeda de troca. Os entusiastas oferecem uns aos outros suas próprias degustações de vinhos, tirolesas, playlists musicais e até massagens em um completo senso de comunidade.


Ser “normal” está fora de questão. As pessoas vestem capas douradas, asas gigantes, chifres de unicórnio, pernas de pau e usam penteados moicanos com penas coloridas. Um verdadeiro Mad Max do mundo paralelo.


Por motivos claros de controle à pandemia da COVID-19, Burning Man foi cancelado. Os organizadores já declararam que o evento, que aconteceria de 26 de agosto a 3 de setembro de 2021, não será realizado.


Não se preocupe. Cultura do Resto do Mundo separou uma seleção de documentários para fazer a mágica e provocadora poeira da contracultura chegar até você!


Burning Man: Art on Fire (2020)


Burning Man: Art on Fire segue a imprevisível jornada dos artistas para trazer instalações e esculturas maciças no isolado deserto de Nevada. Filmado logo após a morte repentina do lendário fundador do Burning Man, Larry Harvey, a comunidade é desafiada por um timing impossível e tempestades de poeira na temporária cidade dos sonhos.



Spark: A Burning Man Story (2013)


Enraizado em princípios de auto expressão, autossuficiência e esforço comunitário, o Burning Man ficou famoso por incitar as pessoas a se livrarem de sua existência comum. Spark: A Burning Man Story leva os espectadores ao backstagedo evento. Quando os ideais de um mundo baseado na liberdade e inclusão colidem com as realidades do "mundo padrão", o espectador se pergunta quais sonhos podem sobreviver.



Burning Man: Beyond Black Rock (2005)


O primeiro documentário autorizado oferece um olhar autêntico de dentro para fora do evento. Burning Man: Beyond Black Rock explora a filosofia que alimenta a revolução social única de participantes que se esforçam para nutrir a força de contracultura. A obra apresenta também o dia a dia dos grandes acampamentos temáticos, dos voluntários e da equipe organizadora.



Burning Man: A Whale in the Desert (2019)


Filmado em completa imersão, Burning Man: A Whale in the Desert apresenta os desafios humanos e tecnológicos que a equipe organizadora enfrenta. A produção demonstra o espírito do evento, um laboratório transitório de ideias e utopias. O documentário revela como os participantes devem respeitar os “10 princípios fundadores do evento”, desde acolher e ajudar a todos até priorizar a auto expressão e experiência imediata.


*Felipe Viveiros, graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP, tem extensão universitária em Comunicação Empresarial pela Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá) e é mestre em Relações Internacionais e Organização Internacional pela Universidade de Groningen (Holanda).

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