Berlinale 2022

A violência do desafeto, o apego à tradição e os flertes com o totalitarismo. Amor à política ou política do amor?


Por FELIPE VIVEIROS*


Iniciado em 1951 em uma cidade dividida pelas fronteiras da Guerra Fria, o Berlinale é – de modo geral – o mais político dos grandes circuitos de cinema.


Mas, quem espera os dramas políticos com os quais o evento é normalmente identificado terá uma surpresa. Este ano o tema principal é o amor.


Dezoito filmes irão competir pelo Urso de Ouro em uma edição que acontece de 10 a 20 de fevereiro, com exibições presenciais após a versão online do ano passado.


Confira as recomendações da Cultura do Resto do Mundo para aproveitar, ao máximo, as boas opções do cinema internacional contemporâneo.


A violência do desafeto, o apego à tradição e os flertes com o totalitarismo. Amor à política ou política do amor?


Yin Ru Chen Yan (2022)

País: China


O diretor e roteirista de Yin Ru Chen Yan, Li Ruijun, é um talento emergente do cinema independente chinês. Seus filmes são rústicos e descortinam a beleza e desolação da região noroeste do país asiático. O drama foi filmado no local de nascimento do diretor e tem como principal plot os tradicionais casamentos arranjados pelas famílias da China rural.


foto: divulgação


Manto de Gemas (2022)

País: México


Com seu primeiro filme Manto de Gemas, a jovem cineasta Natalia López Gallardo coloca o México em alta. A produção foi realizada com a população do esquecido estado de Morelos e aborda o medo de viver em um lugar onde projetos comuns não convergem. Na trama, o amor entre familiares enfrenta a violência do crime organizado e os turvos caminhos da guerra contra às drogas.


foto: divulgação


Nana (Before, Now & Then)

País: Indonesia


A década de 1960 na Indonésia foi um período de mudanças políticas dramáticas com a expulsão do presidente e ativista Kusno Sosrodihardjo (Sukarno) pelo golpe do militar Hadji Mohamed Suharto. A manobra levou à uma violenta proposta anticomunista de “sanitização”. Em Nana, a diretora Kamila Andini faz brilhar a importância da sororidade entre o mar de adversidades causado pela brutalidade dos homens.


foto: divulgação


Alcarràs

País: Espanha


Segundo filme da diretora Carla Simón, Alcarràs conta a história de uma família de agricultores do sul da Catalunha. A vida dos camponeses muda quando o líder da família – e proprietário da terra – morre e seus herdeiros decidem vendê-la. O longa é uma fábula contemporânea sobre as noções de pertencimento e as tensões geracionais que superam as antigas tradições.


foto: divulgação


Everything Will Be Ok

País: Cambodia


Com base na “Revolução dos Bichos” do romancista britânico George Orwell, o aclamado diretor cambojano Rithy Panh utiliza dioramas para explorar como seria o mundo se os animais chegassem ao poder. O filma trata, com sutileza, da (im)possibilidade do amor no totalitarismo e na democracia, em um verdadeiro conto de moralidade apocalíptica. O título faz referência à camiseta usada por um jovem que morreu, em 2021, durante os protestos contra o Golpe Militar em Mianmar.


foto: divulgação


*Felipe Viveiros, graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP, tem extensão universitária em Comunicação Empresarial pela Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá) e é mestre em Relações Internacionais e Organização Internacional pela Universidade de Groningen (Holanda).

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