Já é ano novo na China!

Sente no sofá e deixe a lua do cinema guiar o seu calendário. Filmes para entender os ritos e passagens do Ano Novo Chinês.


Por FELIPE VIVEIROS*


É ano novo! De novo?


Caso sua nacionalidade ou ascendência não sejam chinesas, você está perdendo a grande festa do ano. Comemorado por mais de 20% da população mundial, o Ano Novo Chinês, também conhecido como Ano Novo Lunar ou Festival da Primavera, é celebrado por mais de 1,5 bilhão de pessoas ao redor do planeta. É o feriado mais importante para o povo chinês em seu país e em toda sua diáspora.


Ao contrário do nosso Ano Novo, baseado apenas no calendário solar, o Ano Novo na China tem como base um calendário “lunisolar”. Ou seja, suas datas indicam tanto os ciclos da lua, quanto os ciclos do sol. O Ano Novo Lunar marca a primeira lua nova dos calendários lunisolares não só na China, como também em outros países asiáticos regulados pelos ciclos da lua e do sol como Coréia do Sul, Singapura e Vietnã.


Na China, a celebração começa na noite de Ano Novo com uma festa familiar chamada de “jantar de reencontro” e termina com o conhecido Festival das Lanternas. As pessoas visitam parentes e amigos, assistem a eventos tradicionais e lançam fogos de artifício. A celebração, em muitas regiões, conta muitas vezes com cerimônia religiosa em homenagem ao céu, à Terra e aos antepassados da família.


Como tudo no mundo, cada grupo étnico e cada região têm maneiras diferentes de celebrar o feriado. Cultura do Resto do Mundo separou para vocês quatro produções do cinema chinês que retratam, cada uma ao seu jeito, os diferentes costumes e celebrações do Ano Novo na China.


Faça a pipoca, sente no sofá e deixe a lua do cinema guiar o seu calendário.


The Spring Festival (1991)


Um clássico do cinema asiático, The Spring Festival conta a história da família Cheng, no primeiro dia do Ano Novo Chinês. Filhos e filhas voltam para casa e se juntam para um grande jantar em família. Conflitos familiares surgem à mesa e questões como dinheiro e status social na “China moderna”, azedam o jantar. Escrito e dirigido por Huang Jianzhong, o longa reflete o Ano Novo Chinês após o período de reforma e abertura do país asiático.



Lost on Journey (2010)


Chunyun, também chamada de temporada de viagens do Festival da Primavera, é um período de pico de viagens na China por volta da época do Ano Novo. Lost on Journey, comédia chinesa dirigida por Raymond Yip e protagonizada pelos conhecidos atores Xu Zheng e Wang Baoqiang, retrata de maneira divertida as questões da sociedade chinesa, especialmente durante o caótico período de Chunyun, quando todos querem se reunir com sua família para as celebrações do Ano Novo chinês.



A Bite of China: Celebrating The Chinese New Year (2016)


Da costa de Wenling aos jardins de Suzhou, das montanhas de Youyang às tradições de Min'nan, das antigas muralhas de Loess à uma das últimas vilas tradicionais de Hong Kong, A Bite of China convida o espectador a conhecer mais de 35 localidades no país. O documentário, dirigido por Chen Lei, Deng Jie e Li Yong explora os mais de 60 tipos de pratos tradicionais de Ano Novo e enquadra a gastronomia do gigante asiático em histórias que fazem o público sentir o verdadeiro sabor da celebração, temperado com muita cultura e costumes chineses.



The New Year’s Eve of Old Lee (2016)


The New Year’s Eve of Old Lee conta a história de um professor aposentado que vive sozinho em uma pequena cidade. Depois que sua filha, que trabalha em Pequim há 14 anos, é informada de que seu pai apresenta sinais de Alzheimer, ela e sua filha voltam para visita-lo. O conflito entre modos de pensar da família deixa transparecer as mudanças na ética social do país. O longa, dirigido por Gao Qushu, não só ajuda o público a sentir a essência do Ano Novo chinês tradicional, mas também permite que o espectador redescubra o significado da cultura familiar na China.


*Felipe Viveiros, graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP, tem extensão universitária em Comunicação Empresarial pela Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá) e é mestre em Relações Internacionais e Organização Internacional pela Universidade de Groningen (Holanda).

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